Dizem que a zona de conforto é uma série de ações, pensamentos e/ou comportamentos que uma pessoa está acostumada a ter e que não causam nenhum tipo de medo, ansiedade ou risco. Nessa condição a pessoa realiza um determinado número de comportamentos que lhe dá um desempenho constante, porém limitado e com uma sensação de segurança.
Eu costumava adorar isso. Esse apego com as coisas, os lugares, os móveis, o jeito que o sol aparecia na janela do meu quarto. Eu adorava porque era confortável, quentinho, gostoso, igual útero de mãe.
A gente não pode ficar mais do que 42 semanas dentro do útero e quando a gente sai, a primeira coisa que fazemos é chorar. Com direito a tapinha de boas vindas na bundinha.
A vida toda eu tentei me manter na zona de conforto. Desde muito pequena, quando todo início de ano era um tormento, já que eu não entendia porque minha turma tinha que trocar de professora, porque meus amigos iriam para outra sala e porque eu não podia ter o controle sobre tudo.
O tempo passou, até que chegou um momento da vida em que eu, espantosamente, quis sair do meu útero imaginário, por livre e espontânea vontade. Foram aqueles 10 segundos de coragem que estão completando quase 1 ano até agora.
Segundo essa teoria, um indivíduo necessita saber operar fora de sua zona de conforto para realizar avanços em seu desempenho, eventualmente chegando a uma segunda zona de conforto. Eu fiz isso quando perdi pessoas que eu gostava e pessoas melhores apareceram. É quase como cortar o cabelo curtinho e saber que daqui um tempo ele vai crescer. E se demorar pra crescer você se acostuma com ele daquele jeito.
Largar o emprego, uma casinha gostosa, um monte de gente legal e ir passar frio do outro lado do oceano foi outra opção que eu escolhi. É como trabalhar o desapego dos lugares e das pessoas a cada dia. Coragem ás vezes é desapego também.
E devo confessar que são em dias ruins como esse que eu agradeço TANTO que aqueles 10 segundos de coragem estejam vivos até hoje. Prefiro pensar que se muda, é porque vai ser melhor, é porque vai ser novo, é porque rotina e mesmice não enchem a barriga de ninguém, meu bem.
